Qui, 30 de Junho de 2011 11:06
Aberta na Assembleia programação que resgata história do Coojornal
Numa noite marcada por muita emoção, com o Teatro Dante Barone quase totalmente lotado, por uma maioria de jornalistas e outras pessoas que tiveram alguma vinculação com a história da publicação, o livro "Coojornal: um jornal de jornalistas sob o regime militar" foi lançado nesta quinta-feira (9) no Vestíbulo Nobre da Assembleia, depois de uma apresentação de documentário, com depoimentos de jornalistas que viveram a sua história.
Representando o presidente da Assembleia, deputado Adão Villaverde (PT), o deputado Raul Pont (PT), que chegou a atuar no Coojornal como articulista, saudou os presentes, ressaltando que o jornal durou "menos de dez anos, mas que marcaram profundamente a imprensa gaúcha". Para Raul, este evento "vai nos permitir uma revisão daquele período tão rico, em que nada era muito claro, tudo era cinzento, da luta das pessoas pela conquista de espaços, pela anistia, pela volta dos exilados, movimentos que desembocaram na reorganização partidária. E nós temos grande orgulho de ter comparttilhado, reconquistando os direitos políticos, de votar na nossa cidade". A secretária de Comunicação Social e Inclusão Digital, jornalista Vera Spolidoro, representou o governador do estado, Tarso Genro, no evento.
Resgate totalmente imprescindível
Adão Villaverde, em viagem a Portugal, disse em mensagem lida pelo jornalista Rafael Guimaraens que "impedido de compartilhar, como gostaria, este momento tão importante de homenagem ao Coojornal, saúdo a todos com sincero prazer e grande alegria. Este resgate do Coojornal é totalmente imprescindível. Primeiro, porque foi um jornal extremamente relevante como veículo de comunicação de corajosa atuação de resistência à ditadura e de defesa do processo de redemocratização do Brasil". Mas também porque "contribuiu na formação de profissionais altamente qualificados que honraram o jornalismo gaúcho. Com isso, somou diferenciais que o tornaram uma fonte inesgotável de informações ofertadas à minha geração como preciosos subsídios para nossos posicionamentosa naqueles anos de censura e obscuecimento da nossa história".
De Moçambique, onde reside e trabalha, o repórter do Coojornal Licínio Azevedo também enviou mensagem onde diz que "naqueles tempos complicados, Moçambique alimentou o nosso imaginário sobre uma nova África, onde tal como Angola e Guiné-Bissau, o povo lutava pela sua independência. Aqui viveu e trabalhou vários anos Osmar Trindade, cuja trajetória como jornalista foi intimamente ligada ao Coojornal. A sua vinda para cá foi uma consequência do seu trabalho no Coojornal. Foi aqui que conhecemos o bravo fotógrafo Daniel de Andrade. outro coojornalista amigo de fé e sua companheira também colaboradora do Coojornal, Stella Petrasi. Nosso trabalho em conjunto em Moçambique foi uma continuação das ideias e políticas do Coojornal, adaptadas, claro, à realidade local". Licínio encerra dizendo que "naquele momento, em Moçambique, podia-se dizer que havia uma sucursal do Coojornal. Hoje ainda há um correspondente".
A obra reúne 33 reportagens da publicação mensal da Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre que atuou na resistência à ditadura. O projeto de resgate da história do periódico inclui exposição de capas, debate e exibição de documentário, também lançado nesta quinta. Todas as atividades têm entrada franca. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Legislativo e a editora Libretos, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e da Petrobras.
Debate nesta sexta-feira
No Vestíbulo Nobre da Assembleia podem ser vistas 82 capas do Coojornal. Elas seguem expostas até 17 de junho, com visitas de segunda a sexta, das 8h30 às 18h30. A programação desta sexta-feira (10) inclui ainda a exibição de um documentário sobre o jornal, no Teatro Dante Barone, seguida de debate com os jornalistas Jorge Polydoro e José Antonio Vieira da Cunha e os organizadores do livro Elmar Bones, Rafael Guimaraens e Ayrton Centeno. A sessão comentada contará como três horas de atividade complementar para estudantes universitários, que receberão certificados de participação.
O Coojornal foi concebido como um boletim interno da Cooperativa, mas a demanda cresceu, o número de páginas foi multiplicado, e a circulação passou a ser nacional. Diversos jornalistas gaúchos que viviam em outros estados atuavam como correspondentes. Às vezes, matérias que saíam reduzidas em periódicos do Centro do País eram divulgadas na íntegra pelo Coojornal, que permitia a publicação sem assinatura para evitar embaraços.
Duas reportagens são particularmente associadas ao fim do Coojornal: uma sobre a quantidade de cidadãos cassados durante a ditadura e outra sobre documentos secretos do Exército relativos à repressão de guerrilheiros. Assim, a reação dos militares e a fuga de anunciantes, associadas a questões trabalhistas, resultaram na extinção do periódico.